Bio ZIMHBER

Em 1967 foram lançados discos antológicos como “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” dos BEATLES, “The Who Sell Out” da THE WHO, “The Piper at the Gates of Dawn” do PINK FLOYD, “The Doors” dos THE DOORS, “The Velvet Underground and Nico” do THE VELVET UNDERGROUND e o “Are You Experienced”, album inaugural da carreira de JIMI HENDRIX, para citar alguns dos discos que, mais tarde, se tornariam referências artísticas para mim.
Nas terras tupiniquins, nasceram MARISA MONTE e os rappers THAIDE e D2, artistas que também admiro. Foram lançados também discos importantes para minha formação como “Roberto Carlos em ritmo de aventura”, “Caetano Veloso”, “Wave” de TOM JOBIM e “Chico Buarque de Holanda – Volume 2”.
Foi também em 1967 que o Festival da Record trouxe à tona o talento de EDU LOBO na música ˜Ponteio”, parceria com CAPINAM; a genialidade de CAETANO VELOSO em “Alegria Alegria” e de GILBERTO GIL com “Domingo no parque”, está última, além do arranjo incrível de ROGÉRIO DUPRAT, também presente na música de Caetano, trouxe a tona a maior banda de rock do Brasil, OS MUTANTES.
Este foi também o ano de algo não tão importante assim pra humanidade, mas fundamental para o surgimento do artista ZIMBHER: nasceu em Taguatinga, cidade satélite da capital federal, ANTONIO CARLOS, uma criança embalada por outra, já que Brasília tinha sido inaugurada há pouco mais de sete anos, quando em 10 de julho eu nasci.
Seu Zequinha e Dona Toinha haviam se mudado do Maranhão para a “capital da esperança”. Na bagagem, além de um curso de prótese dentária feito por Zequinha no Rio de Janeiro – antes do casamento, é bom que se diga; os 4 filhos já nascidos: Célia, Joana, Goret e Ari, além de Vital, filho adotado em função da tradição nordestina de que os padrinhos de batismo trazem para sua convivência, como filhos, os afilhados que por ventura tenham ficado órfãos.
Graças a devoção de Dona Toinha por Santo Antonio, safei-me de ser homônimo do rei Roberto, já que minhas irmãs faziam acirrada campanha para que meu nome fosse Roberto Carlos. Nada contra o rei, mas é que certamente eu seria alvo da chacota dos colegas de escola.

Carlos, como eu era chamado pela família, trilhou o caminho normal de um brasiliense suburbano. Estudei em escola pública, que em Brasília, à época, era de ótima qualidade, com aulas de inglês e música. Até os 12 anos não havia entrado numa sala de cinema, mas já me encantava com a sétima arte com as poucas produções que tinha acesso pela TV.

Na verdade, em minha infância, tive pouco contato com artes de modo geral. Entretanto, minha veia artística foi iniciada com a vocação maranhense de cultivar a poesia e a boemia, representada em casa por minhas irmãs Joana e Goret, que escreviam poemas e me incentivavam a escrever os meus. Essas mesmas irmãs também tinham uma robusta coleção de fitas K7, lotadas de NOVOS BAIANOS, todos os DOCES BÁRBAROS, Bossanovistas em geral, CAYMMI, CARTOLA e todos os sambistas de raiz, mas, não há como negar, especialmente, CHICO BUARQUE, a quem segui com tanta devoção, que no início de minha carreira, alguns ouvintes chegaram a identificar minha voz com a dele. Além dos discos “baixados” para fitas K7, tudo que envolvia Chico me interessava. Comprei suas peças de teatro em sebos e fui atrás também das trilhas sonoras dessas peças. Embora só tenha começado a me envolver com o Teatro numa oficina feita com o grande ator e diretor brasiliense ZÉ REGINO, já adulto, com 18 – 19 anos, a leitura dos textos de “Calabar” e “Gota d’água”, com seus personagens impregnados de realidades as quais não tinha nenhum convívio, pululavam em minha imaginação de garoto pobre e sem acesso a livros e outros suportes artísticos e, alem de ser minha primeira incursão nas artes cênicas, que viriam a ser constantes futuramente em minha carreira, serviram de fonte de inspiração para minhas primeiras composições.

O teatro acabou sendo um elemento importante na minha profissão. Escrevi uma peça infantil que foi montada por um grupo de dança, sob direção de GE MARTU em Brasília, alem de dividir a trilha sonora e cantar com RUBI na peça A BRUXA QUE ROUBOU OS SORRISOS e compor a minha primeira trilha original para a peça A CIRANDA DA MULHER DO BALDE, ambas de ROSINA CHAVES. Já em São Paulo, fui preparador vocal da peça MEMÓRIA DAS COISAS da Fraternal Companhia de Artes e Malas-Artes; Fiz a Direção Musical e a Trilha Sonora Original dos Espetáculos da Cia. Farândola Troupe A QUADRATURA DO CÍRCULO, com direção e texto de REINALDO MAIA, TRIPLO MORTAL com direção de NETO DE OLIVEIRA e O BICHO HOMEM E OUTROS BICHOS com direção de MAYRA OLIVEIRA; Fiz parte da trilha sonora da peça CLEIDE, ELÓ E AS PERAS de GERO CAMILO, com direção de GUSTAVO MACHADO. Neste ano também dividi a trilha sonora e a direção musical de CONDOMÍNIO NOVA ERA com o cantor JONATHAN SILVA, sob direção de ROGÉRIO TARIFA.

Outro importante formador do meu caráter artístico foi certamente as longas e intensas “jovens tardes de domingo” curtidas ao som de vinis cheios de chiados, malhados pelas intermináveis execuções, capitaneadas por “DJs” geralmente pouco sóbrios. Minha adolescência foi curtida ao som de “Detalhes”, “O Portão” e muitos outros clássicos de ROBERTO CARLOS e hit’s românticos da época entoados por WANDO, AGÊPÊ, HYLDON e afins.

Minha primeira experiência com uma platéia foi aos 13 – 14 anos na participação em um Festival Estudantil realizado no CEAB, escola de ensino médio de Taguatinga, onde interpretei minha primeira composição musical, feita a partir de uma letra de minha irmã Joana, que na época escrevia poemas. Lembro-me bem que todos ficaram atordoados com um garoto daquela idade cantando com tanto sentimento, letra tão profunda, falando de um relacionamento que chegara ao fim “continuo te gostando em tom maior / chorando por te perder e quem sabe suplicando uma volta uma explicação” dizia a letra com melodia menor, triste que só. Eu era um sofredor desde a mais tenra idade. Sofria as minhas dores e as de quem me cercava, especialmente dos meus irmãos mais velhos. Então, cada vez que cantava EM TOM MAIOR (Zimbher e Joana Martins), era do fundo de minh’alma que cada palavra era esculpida. Foi muito bacana aquela vivencia e o primeiro contato com outros músicos e uma platéia que aplaudia alucinada aquela inusitada figura cuspindo versos que não tinham a menor relação com sua aparência pré adolescente.

Aos 15 – 16 anos, já com algumas composições na bagagem e tomando parte em rodinhas de violão pra tocar ZÉ RAMALHO, BELCHIOR, ALCEU VALENÇA, MILTON NASCIMENTO, CAETANO, GIL e outros bambas daqueles tempos, pude vivenciar também uma outra experiência artística em público. Subi num palco para fazer uma performance num evento da 51 (QSD 51, uma rua próxima a minha, na Vila Matias, bairro de Taguatinga). Era uma dublagem da música “Não se vá” de JANE E HERONDY, ao lado de um dos amigos da turma com quem passava a maior parte do meu tempo na época, jogando voleibol, namorando as meninas e tentando convencer ouvintes que aquela voz que começava a querer se fazer ouvir, tinha de fato algo a dizer.

Nesta época comecei também a cursar a faculdade de economia, abandonada um ano e meio depois para me dedicar a música, já que havia conseguido meu primeiro emprego e pude sair da casa dos meus pais, que não concordavam com minha escolha pela arte.

Passei num concurso da NOVACAP – Companhia Urbanizadora da Nova Capital e foi lá que conheci as pessoas do grupo TERRA MOLHADA, com quem dei os primeiros passos como músico profissional, embora de maneira ainda amadora.

Logo depois ingressei no Coral da ASBAC (Associação de Funcionários do Banco Central) com quem gravei um disco e excursionei por várias cidades do Brasil. Foi ali também que tive as primeiras noções de técnica vocal e onde amadureci minha percepção estética do fazer musical. Uma verdadeira faculdade empírica de música. Sob a batuta do maestro do Coral, ANTONIO SARAZATE, tive ainda a excepcional vivencia do grupo vocal BICO DE VELUDO, que tinha uma proposta cênica e um repertório que passava por canções como Fico Louco de Itamar Assumpção.

Ainda em Brasília, iniciei meu trabalho solo, fazendo shows em quase todos os palcos da cidade, desde bares como Feitiço Mineiro e Gat’s Pub, até as pomposas salas Villa Lobos e Martins Penna do Teatro Nacional, passando por espaços alternativos como a Oficina do Perdiz, uma oficina mecânica que se travestia de Teatro a noite, onde fiquei em cartaz durante meses com espetáculos cênico-musicais como “Seria Sério?”e “Nu com a minha música”, ambos dirigidos por Gê Martú.

Em 1997 decidi buscar novos desafios e me transferi para São Paulo, onde lancei meu primeiro disco em 1998 (Diverso – Elo Music), co-produzido por Paulo Lepetit e com participação de Itamar Assumpção, Maurício Pereira, Bocato, Toninho Ferragutti, Vange Milliet, Juliana Amaral, Luiz Waack, dentre vários outros músicos de São Paulo, que se juntaram ao parceiros de Brasília Cacau, Alfredo Bello, João Bosco Oliveira, Alberto Salles, Rubi e tantos outros camaradas e amigos, além de Daniel Baker e Rodrigo Caldas, que co-produziram esse primeiro álbum.

Em 2004, época em que era sócio da gravadora Elo Music ao lado do Paulo Lepetit e Vange Milliet, lançamos o projeto CD7, formato que criamos para lançar títulos como DonaZica, Itamar Assumpção e Naná Vasconcelos, e Bocato. O meu CD7 chamou-se “Coração Contemporâneo”, com produção de Alfredo Bello – DJ Tudo e contou com a banda Rafael Martinez na guitarra, Gustavo Souza na bateria e Simone Sou na percussão, além das participações de Ceumar, Gero Camilo, Tata Fernandes, Rubi, Kleber Albuquerque, Paulo Lepetit e Vange Milliet.

Quatro anos depois, em 2008, foi a vez de “zimbher e o`zunido” disco lançado pelo Selo Cooperativa, uma perna da Cooperativa de Música, entidade que criei com outros 25 sócios fundadores e da qual fui presidente do início, em 2003 até 2009, hoje contando com mais de 1500 associados. Esse disco foi uma produção coletiva da banda o’zunido que tinha Estevan Sinkovitz e Luque Barros nas cordas (baixo, guitarra, violões, etc.) e Gustavo Souza na bateria. Criamos arranjos pras minhas músicas e gravamos o meu primeiro cover. Não poderia ser outro senão Chico Buarque o escolhido. Fizemos uma opera-rock para “Geni”, uma das músicas mais legais que conheço. Além de o’zunido, participaram também do disco Luis Felipe Gama e Ana Luiza, meus parceiros em várias empreitadas artísticas, Wazzabi, coletivo dinamarquês com o qual excurssionei pela Dinamarca em 2009 e Dani Zulu, minha parceira no Projeto Guarará, com quem realizei o projeto “Musica on line” contemplado pelo Programa Petrobrás de Patrocínio.

Lanço agora, em 2014, Homem Nu (Selo Cooperativa), produzido por Gustavo Souza, mais parceiro mais recorrente nesses anos de Sampa, e por Guilherme Kastrup, que foi o baterista da primeira banda que formei em São Paulo. Com participação de nomes como Zeca Baleiro, Juçara Marçal, Luiz Gayotto, Kiko Dinucci, Meno Del Pichia, Tatá Aeroplano, do onipresente Paulo Lepetit, que também deu “pitacos” na produção musical, e outros grandes músicos, Homem Nu é o trabalho que está em voga nesse momento.

Tive a grande sorte de contar também nesse mais recente projeto fonográfico com a “moldura” luxuosíssima da lente do grande fotografo e musico GAL OPPIDO e do musico e disigner BARÃO DE SARNO, que vestiram este homem nu com alegria, beleza e sensibilidade.

Bom som!!!